Vida e morte não são forças adversárias, mas parceiras. Criam um movimento perpétuo onde os ciclos naturais se sucedem em prol de uma regeneração.
O indivíduo é compelido a participar deste renovar constante, pelas mudanças internas provocadas por perdas e provações peculiares à cada fase da vida. O processo não se faz sem dores e tropeços, incertezas e tentativas. Requer a coragem de encarar, de coração aberto, o que a vida traz, onde cada ser é desafiado a realizar o seu pleno potencial no tempo de vida que lhe é dado.
Como toda transformação, elaborar uma perda tem seu ritmo próprio, o da metamorfose. É no silêncio da alma que as perguntas essenciais sempre vêm à tona. As respostas válidas evoluem com o tempo e com o entendimento. Porém, elas sempre contêm o poder de renovar o sentido do viver.
O curso mescla momentos de vivências e práticas, com partes teóricas.
Parte vivencial
Cada sessão desenvolve uma sequência de experiências para propiciar o acolhimento do participante (meditação, partilha grupal) e sua receptividade ao tema do dia (sensibilização, vivência com imaginação guiada, expressão criativa do vivido, apresentação e reflexões). O conjunto das sessões forma uma rede coerente de ações e expressões que permitem a reestruturação do ser.
Parte teórica
Conhecimentos específicos sobre o tema morte (estudos da tanatologia) são introduzidos em certos momentos ao longo do processo psicológico. Apresentam os aspectos cultural, psicológico, científico, transcendente, ético, ritualístico e legal, suscitando debates capazes de transformar a relação com o grande Mistério da Morte.
Oficinas em grupo
Sessões semanais
(presenciais)
Em Belo Horizonte, MG
Grupos fechados de 4 a 8 pessoas
Conjunto de 35 sessões
Duração de 3h30 cada sessão
De março à novembro
Jornadas mensais
(presenciais ou online)
Sob demanda
Conjunto de 9 encontros mensais em fim de semana
Duração de 15 horas cada fim de semana
Pela plataforma Google Meet
Pré-requisitos
Disposição para trabalhar a si mesmo e compromisso com o conjunto do trabalho
Não demanda habilidade artística especial
O trabalho é desenvolvido em grupos
As vagas são limitadas
Os materiais de arte básicos são fornecidos em versão presencial. Em versão online, uma lista é fornecida.
Antes do início das oficinas e jornadas, será feita uma sessão individual preliminar presencial ou online.
Se você tiver qualquer dúvida ou quiser se inscrever em uma das oficinas, entre em contato.
Perguntas frequentes
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Perda é geralmente associada na nossa mente ao fracasso, à falta, à separação, ao abandono ou à morte e, como tal, é um assunto muito penoso porque dói e desestrutura. Porém, ao longo da vida, somos confrontados com inúmeras outras experiências de perda, conscientes ou não: perdas de sonhos, ilusões, expectativas, forças, juventude... quando somos impelidos a deixar para trás certos aspectos da nossa vida porque não correspondem mais à realidade do momento. Aprendemos então, aos trancos e barrancos, como abrir mão e nos preparar para a mudança. Elaborar essa mudança pode transformar algo doloroso em enriquecimento interno. Isso é o próprio movimento de amadurecimento do ser.
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Nesse processo, a civilização ocidental moderna não nos ajuda muito. Ao contrário, ela tenta fugir das questões dos limites, incentivando o apego à valores fugazes e superficiais, próprios da sociedade de consumo: sempre ter mais; mais posses, mais poder, mais conquistas... Ao passo que os valores do ser não interessam à essa mesma sociedade, porque levam à contenção do consumo e escolhas mais centradas, que escapam da manipulação da publicidade, do marketing, etc. Resta a cada um fazer a avaliação do preço dos apegos na sua vida, questionar as suas prioridades, encarar o fim e o desconhecido. "Navegar é preciso" entre as pequenas e as grandes mortes, sempre subliminares a toda decisão e a tudo o que há neste mundo. O processo é corajoso e sofrido, mas o ganho é enorme.
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Vinícius de Moraes escreveu num poema: "Ai dos homens que matam a morte por medo da vida." Vida e morte são indissociáveis. São dois momentos de um mesmo ciclo universal, cada um dando valor ao outro. Não se pode anular uma polaridade sem anular a oposta. O medo excessivo da perda abafa o potencial da pessoa, encarcerando-a e escravizando-a numa vida de morto-vivo. Enfrentar o medo e se preparar para as perdas necessárias ou inevitáveis que toda vida encerra, resultará sempre numa melhor qualidade de vida.
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O enfoque "preventivo" ou preparatório pode ser fundamental nessa área. Por que esperar o golpe duro de uma grande perda arrasadora para refletir e se trabalhar, no meio do sufoco, do desespero, e às vezes, sem prazo? Por que não olhar desde já, num momento mais ameno em que se tem a oportunidade de perceber, sem drama extremo, certas atitudes e limitações que dificultam a vida e que são passíveis de serem transformadas? Esta é a proposta de trabalho da Arte da Ponte. Também é importante entender que grande parte desse medo é culturalmente inculcado. Nossa visão pode se abrir quando se aprende sobre os diferentes modos como outras culturas e outras épocas lidaram com suas perdas.
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Se observar e perceber tanto suas dificuldades quanto suas forças internas, é o primeiro passo para a mudança. Começar logo tem uma vantagem imensa: a de se ter (sempre se espera!) tempo à sua frente, para construir e desfrutar melhor de uma vida livre de medos paralisantes. Se preparar para o inevitável não impede a dor, mas, sim, o pânico. Não cria obsessão macabra, mas, sim, uma apreciação redobrada da vida e das relações, enquanto bens temporários, únicos e preciosos. Permite também dissolver fantasmas e mitos comuns sobre o processo do morrer e criar respeito por esse momento tão importante e solene.
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A ponte é o símbolo da transição, da passagem de um lugar para outro, de um estado para outro. Passamos por este processo muitas vezes ao longo da vida. Cada vez que topamos com as grandes crises, nosso mundo desmorona e se torna insatisfatório. Então, entramos num momento de transição: "a construção da ponte", quando somos forçados a analisar a situação com novos olhos, a vislumbrar outras soluções, a criar ações diferentes. Esse momento é muito importante porque vai determinar a qualidade de nosso futuro. Perdemos o conhecido, o antigo, mas ganhamos a renovação, pelo exercício da criatividade em todas as esferas como resposta à nova realidade. Fazer essas trocas de padrão de modo feliz, é a própria arte de viver.
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O ato criativo é a primeira linguagem do homem desde que nasce. É o modo intuitivo e empírico como ele manifesta o despertar da sua consciência. Os estudos de Jung mostraram como a produção espontânea de imagens simbólicas, praticada por todos nós nos sonhos, é totalmente necessária ao homem para construir um mundo interno saudável e em contínua evolução. A arte cria imagens em intercâmbio direto com o âmago do ser, porque ambos falam uma mesma línguagem simbólica, não verbal e não racional. Assim, ela ganha uma função catártica, capaz de descarregar e transmutar energias desequilibradas. Hoje, é reconhecido que, ao se trabalhar, no concreto, a forma plástica da argila ou da pintura por exemplo, vão sendo elaboradas e polidas as formas internas, num jogo de respostas e transformações que levam, aos poucos, à mudanças de consciência e de atitudes no externo. Portanto, a arte resgata, para o adulto, o modo primordial e intuitivo com o qual a criança apreende o mundo: pelo jogo e pelo prazer de criar.